Espaço de compartilhamento, registros, sensações, reflexões, discussões, expressões, imagens, sons, vazios... de diversos elementos da forma e do conteúdo da arte e da vida. Blablabla...

"(...) não o grites de cima dos telhados, deixa em paz os passarinhos (...)"

"(...) Quem pode, pode Deixa os incomodados que se incomodem (...)"

"(...) um coturno (...) sapatilhas de arame (...) alpercatas de aço (...) pés descalços sem pele (...) um passo que a revele (...)"

"(...) Pra pedir silêncio eu berro Pra fazer barulho eu mesma faço (...)"

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Você não foi convidada

Detesto quando ela vem sem que a estejamos esperando. Detesto é pouco, neste caso. Odeio. Sim, palavra feia. ODEIO. Representação simbólica feia de uma experiência que para mim, é feia. Neste sentimento se encerram muitas coisas a meu respeito: o fato de estar inserida na cultura ocidental, minha juventude, minha paixão pela vida, meu senso de merecimento, minhas expectativas sobre o futuro, meus planejamentos, a raiva violenta que sinto quando algumas coisas (as que são mais caras para mim) fogem totalmente do meu controle.
O nó na garganta, o desespero, a voz trêmula, a tremedeira, os gritos coletivos, os corações compartilhando dores de uma extensão sem fim: clichê, clichê, clichê. Somos todos clichês, neste e em todos os momentos. É em horas como esta que a vida dá uma bordoada na cara e mostra isso, ardente e explicitamente. Carne exposta no mármore branco, sangrando, diria o poeta que tanto admiro, de outro jeito, do seu jeito. E é disso que se trata: do outro. O outro Pessoa, você, a outra pessoa, você, eu, meu outro eu, o outro Pessoa, o poeta. Volto a você, o outro mais caro para mim, neste momento.
A morte é o impedimento de olhar para o outro uma próxima vez, de o abraçar mais uma única vez, um momentinho que seja, rapidinho, tipo abraço-de-susto ou um longo e apertado abraço, daqueles ‘de urso’, daqueles que você sabia dar, meu querido. É a estrada bloqueada de olhar no rosto do outro em uma última oportunidade. É meu caminho interrompido de ver seu olhar sincero e um pouco tímido com as coisas da vida, um pouco distraído das coisas cotidiana da vida, porque em algum lugar de seu espírito você sabia, de alguma forma, que estas ‘coisas da vida’ são as mais banais. Foi na estrada que, literalmente, neste caso, ela te pegou, meu querido. Essa odiosa entidade que um dia todos nós vamos encontrar. Lá se encerrou seu suspiro final. 
Queria ter sabido antes. O sentimento de impotência que agora me invade e que se transforma em litros de lágrimas não alivia a dor. Apenas vaza pelos olhos. Mas é um vazar fingido, porque não resolve, não esvazia. Estou cheia deste ódio feio do qual falava. Estou sem sentido. E vou me permitir ficar assim, por um tempo. Por toda a vida, eu acho. Este fato me tirou uma parte de sentido, e o nó na garganta é por não ter podido lhe dizer que se um dia você morresse, essa seria a consequência para mim: perder parte do sentido de olhar para a vida. Doem minha alma, meu peito, minha coluna e minha cabeça.
Leio-me neste momento, em tempo real, e me sinto ridícula – por escrever para alguém que não vai ler, por pensar nas minhas dores enquanto você jaz, por saber novamente o quão pequenos somos todos, por não saber o que fazer com a Dor, mais uma vez. Lamento, é só o que consigo dizer agora, por não ter te aproveitado mais, te abraçado mais, convivido mais contigo. Tomara que eu sonhe com teu sorriso e teu olhar nesta noite. É só o que sobra.

De Desirée Pessoa
Para Marcus Vinicius Pessoa
Em 09.04.2014

quarta-feira, 19 de março de 2014

Texto em Composição

"De repente o tempo passou e as mãos dela estavam iguais às da mãe. A ranhura das unhas, a pele já um pouco enrugada e levemente mais flácida do que cinco anos atrás. Mais gordinhas também, denunciando, mesmo que isoladamente do restante do corpo, um quadril mais cheio, um tronco mais robusto, pernas mais grossas, uma papada abaixo do queixo. Já não podia ver o mundo da mesma maneira. Estava fadada à passagem do tempo. Percebia-o com todo o corpo. Percebia-o, sobretudo, com a pele. Um aperto no peito hoje, após uma experiência específica, era mais evidente do que outrora, ao início de um novo projeto. Os fantasmas do passado estavam de volta. Pela primeira vez, ela estava encorajada de uma forma diferente para lidar com eles. Pela primeira vez defrontava-se com seu duplo sombrio, não apenas de frente, como também o abraçando por trás. Podia surrá-lo com toda a sua força e podia abraçá-lo, dançar junto com ele. Podia lançar-se ao mundo de uma nova maneira. Não sabe bem se isto tudo se devia à experiência das últimas 48 horas. Provavelmente estava conectado com os últimos 14 anos. Fato é que sentia um novo vigor, uma nova forma de respirar a sua obra. Já ia esquecendo de mencionar: ela era artista. Ninguém aqui está dizendo que os fantasmas sumiam de todo. Mas novas transformações se operavam, e isto, de tão surpreendente, a assustava de outra maneira. Um pouco mais positiva, agora. O espanto. Consigo, com o mundo, com relações. Um espanto tranquilo, desta vez. Não de todo, nunca de todo, mas se algum agito existia, era de uma felicidade sublime, não mais de angústia. Pelo menos naquele momento."
 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Olá, de novo!

Novamente, fiquei muito tempo sem escrever. Talvez se deva à correria em que consiste minha vida, ou à necessidade que sinto de pertencer mais ao mundo real do que ao virtual, ou quem sabe à urgência de vida que eu tenho, que me faz beber a cada instante o mundo, a natureza, a estética da vida... quem sabe.
Neste momento, uma parte de mim precisa se abandonar para que outra se projete. Triste divisão. Queria ter mais braços, mais pernas, mais corações, mais estômagos e intestinos para agarrar todas as possibilidades que se abrem à minha frente. Reles corpo humano, que é um só. Renego meu corpo nestes momentos. Não um renegar de raiva, mas de lamento. Considero lamentável ter tanto agito por dentro, tanta inquietação, tantas angústias e não ter mais corpos para sofrer, para celebrar, para correr e para relaxar. Triste não ter de fato o dom da ubiquidade. Li sobre isso num conto, que minha amiga Regina generosamente compartilhou comigo. Fiquei em êxtase. Era tudo o que eu precisava.
Sinto o calor da minha cidade neste instante, que se tornou uma versão possível do inferno. São 01h46min e faz mais de 30 graus. Pode? Não devia. 
Voltando: devíamos poder ter quantos corpos quiséssemos. Um dos meus estaria neste instante em um ambiente fresquinho, mas não artificial. Não aguento mais o ar-condicionado. O próprio nome já é terrível de pensar: um ar que está condicionado, que tem uma condição, que nos condiciona, que nos faz sofrer por uma condição. Resseca-me o aparelho respiratório. Que fazer? Jogar-me fora? Triste Fim de Policarpo Quaresma. Alguém me disse ontem que não queria “morrer de um jeito tão estúpido”. Pensei que não há jeito de morrer que não seja estúpido. Não discuti. Aprendi a preciosidade do silêncio. Hoje, sorrio sem graça, se for preciso. Quem me conhece sabe que uma das coisas mais espontâneas que tenho é a força do meu sorriso. Até isso a vida me ensinou a silenciar, sob determinadas circunstâncias.
O taxista de hoje me perguntou se eu era ruiva natural. Eu disse que não. Ele disse, com jeito de brincadeira: “Então, não falo mais contigo”. Eu respondi, com jeito de seriedade absoluta: “Então não fala, não precisa. Só precisa me levar até o destino.” Antipática total. Efeito do calor? Talvez. Por favor, a ubiquidade!!! P.S.: Depois ele viu que eu também estava brincando e seguimos conversando. Posso parecer antipática, mas só pareço. Não tenho tempo para tanto esforço.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Força, SM!

Com tristeza tenho acompanhado a situação das pessoas que tinham seus jovens na boate que incendiou em Santa Maria. Penso nos jovens e lamento. Penso nas mães, pais, irmãs, irmãos, namorados, tios, avós, amigos... e lamento muitíssimo. Profundamente. Dói, dá um aperto na garganta, no peito e a respiração tranca. Mesmo assim, não ouso dizer que posso imaginar a dor dos envolvidos. Não posso. Vem à minha mente uma música do Lenine, Paciência. Porque é com arte que crio meus problemas e é com a arte que os resolvo (ou me aprofundo ainda mais neles, conforme o desejo e a situação). Já a morte não tem solução, nem a arte parece ser suficiente. Mesmo assim, infelizmente, vem aquela sensação de que "o mundo não para porque você quer sofrer". Muitas vezes sinto isso. No entanto, desta vez o mundo parou. Sintamos profundamente este momento. Sintamos a raridade da vida.




Paciência (Lenine)

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não para
Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora vou na valsa
A vida tão rara
Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência
O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência
Será que é o tempo que me falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara (tão rara)
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para (a vida não para não)
Será que é tempo que me falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara (tão rara)
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para(a vida não para não... a vida não para)




domingo, 20 de janeiro de 2013

Texto no blog do Grupo Neelic

Amigos, no começo deste ano escrevi o texto que segue abaixo, para o blog do meu grupo de teatro, o Grupo Neelic. Espero que gostem! 


2013: (Re)Começar!

Queridos amigos leitores,

Este deveria ser um post de início de ano. Todavia, depois de tantos anos de trabalho continuado no teatro, impossível dizer que estamos "começando" qualquer coisa. Muito simbolicamente, neste ano de 2013, em que completamos 10 anos de trajetória, podemos falar em um REcomeço.

Poder olhar para trás e enxergar tudo o que construímos, criamos, rimos, choramos, brincamos, festejamos,  desconstruímos, desestruturamos, ressignificamos, é um privilégio e é inspirador.

Nesta década que se completa, crescemos indizivelmente, como artistas e como pessoas. Descobrimos nossa identidade poética, nossa ética coletiva e individual, nossas semelhanças e nossas diferenças.

Trabalhamos com muitos parceiros ao longo do caminho. Pessoas que nos ensinaram muito, e com as quais nos sentimos honrados de dizer que pudemos compartilhar generosamente espaços e saberes em processos, ensaios, aulas, palcos. Vivências que sempre deixam saudades. Aos que passaram, nosso imenso muito obrigado.

Aprendemos com a vida, com as situações que se apresentaram, com as pessoas que foram e vieram, com as que (por que não?) ainda virão e com o constante desafio de continuar fazendo teatro nesta Porto Alegre, que é preciso força, coragem, dignidade, ímpeto, ousadia e sobretudo uma tranquilidade e um amor pelo ofício do tamanho do mundo para, após 10 anos passados, permanecer com o fogo do desejo aceso e poder dizer dele que é inabalável. 

Hoje, somos plenamente felizes com a escolha feita. Felicidade esta que não é empolgação, que não é paixão e nem fogo de palha, como diria a bisavó de todo mundo (risos). Somos artistas que sabemos que estamos fazendo a diferença na história do teatro gaúcho, e isso é o tipo da coisa que só o fato de saber já dá uma felicidade mansa e gostosa no fundo do peito, que faz o rosto esboçar um sorriso que não chega a ser rasgado, mas que vem junto com um olhar profundo e penetrante. Somos artistas que podemos encostar a cabeça no travesseiro à noite e saber que fizemos da melhor forma que existe o que há de melhor a ser feito pela existência: vivemos uma jornada plena, na vida e no ofício da arte. Transformamos a nós e a todos aqueles que tomam contato com nossa obra, seja através dos espetáculos profissionais que nosso grupo cria e produz, seja através das atividades da Escola de Teatro que nosso grupo mantém, a Escola de Teatro do Grupo Neelic.

Queremos então usar este espaço para homenagear a todos que de alguma forma colaboraram para que nós aqui chegássemos: Evoé, Dionísio, deus que nos inspira todo este tempo; Evoé aos parceiros dos espetáculos que já criamos, Clitemnestra (2007), O Retrato (2008), Sem Açúcar (2009), A Serpente (2009), Primeiro Amor (2010), A Noiva do Caí (2011), Portas do Invisível (2012), Hallucination (2012). Nosso Evoé especial a  Rô Cortinhas, Caco Coelho, Guilherme Sanches, Leonor Melo, Isabel Sommer, Christiano Buys, Guilherme Dal Castel, Carol Zimmer, Roberto Russo, Helimara Medeiros, Ana Mércio, Aninha Feijó. Evoé com ar de novidades às mais recentes parceiras, Márcia Donadel e Luciana Hoppe. Meu Evoé particular aos meus colegas amados (de um amor sem limites) Fabiana Montin, Pablo Corroche, Vanda Bress. Agora um Evoé especialíssimo: pra ti, que acompanha nosso trabalho. Pra todas as plateias de ontem, hoje e sempre, amigos, colegas, ex-colegas, estudantes (de nossa Escola) que foram, estão e virão, leitores e "curtidores" virtuais: EVOÉ, porque estamos SÓ COMEÇANDO!!!

Desirée Pessoa, em nome do Grupo Neelic.    
Porto Alegre, 07.01.2013.

domingo, 18 de novembro de 2012

Com o sucesso do curso do Nelson, nos inspiramos e abriremos um de Brecht!!!



Galera!

O curso sobre o Nelson teve suas inscrições encerradas, com muito sucesso na seleção. Formamos uma turma ótima!

Agora, em virtude do sucesso de procura, e pra contemplar aqueles que não tiveram tempo de se inscrever, estamos abrindo um novo curso, sobre Brecht, que será maravilhoso também!!!

Seguem abaixo as infos:


Curso "Mestres do Teatro: Bertolt Brecht"
Curso específico para pessoas interessadas em estudar, nos âmbitos da teoria e da prática, o grande diretor alemão que revolucionou a história do teatro no século XX.




" Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida. Estes são imprescindíveis." Bertolt Brecht.

PÚBLICO-ALVO:
Todos os interessados a partir dos 16 (dezesseis) anos, com ou sem experiência em teatro.

METODOLOGIA:
O curso é composto de 12 (doze) meses de aulas práticas, teóricas e  seminários, e uma montagem  de espetáculo ao final aberto a público e amplamente divulgado na imprensa de grande circulação impressa e virtual, e a participação nos Saraus de Livre Expressão Artística do Neelic.

CONTEÚDOS:
Aulas de expressão corporal; expressão vocal; improvisação; jogos dramáticos e teatrais; jogos didáticos brechtianos; aulas de atuação cênica; vivências coletivas com exercícios de teatro e dança contemporânea e experimentações com performances. Aulas de História do Teatro no Século XX e seminários sobre Bertolt Brecht.

EXCLUSIVIDADES DO CURSO:
Material didático impresso e virtual gratuito;
Certificado de conclusão gratuito.

PROFESSORA:
Desirée Pessoa (Atriz, Diretora e Pesquisadora Teatral, Mestra em Artes Cênicas da UFRGS, Professora de Teatro Licenciada UFRGS, Diretora do Grupo Neelic).

COORDENAÇÃO:
Fabiana Montin (Atriz e Oficineira de Teatro do Neelic, Bacharel e Licenciada em Filosofia PUCRS).

TURMA DISPONÍVEL:
Neste ano de 2012, haverá vagas apenas para uma turma, cujo horário de aulas será:
Terças-feiras, das 19h às 22h.

LOCAL DAS AULAS:
As aulas deste curso ocorrerão no HPSP. As entrevistas seletivas e inscrições ocorrem na Usina do Gasômetro, e devem ser agendadas antecipadamente.

COMO SE INSCREVER:
Por e-mail ou telefone, através dos contatos do Neelic, disponíveis no link http://escolateatroneelic.blogspot.com.br/.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Curso "Um Estudo Sobre Nelson Rodrigues"


Gente,

Segue divulgação de um curso super bacana que criamos no Neelic. Contamos com tua participação!


Um Estudo Sobre Nelson Rodrigues

Curso específico para pessoas interessadas em estudar, nos âmbitos da teoria e da prática, o clássico e polêmico autor da dramaturgia brasileira Nelson Rodrigues.  



PÚBLICO-ALVO:
Todos os interessados a partir dos 18 (dezoito) anos, com ou sem experiência em teatro.

METODOLOGIA:
O curso é composto de 12 (doze) meses de aulas práticas, teóricas e  seminários, e uma montagem  de espetáculo ao final aberto a público e amplamente divulgado na imprensa de grande circulação impressa e virtual, e a participação nos Saraus de Livre Expressão Artística do Neelic.

CONTEÚDOS:
Aulas de expressão corporal; expressão vocal; improvisação; jogos dramáticos e teatrais; atuação cênica; vivências coletivas com exercícios de teatro. Aulas de História do Teatro Brasileiro e seminários teóricos sobre Nelson Rodrigues.

EXCLUSIVIDADES DO CURSO:
Material didático impresso e virtual gratuito;
Certificado de conclusão gratuito.

PROFESSORAS:
Desirée Pessoa (Atriz, Diretora e Pesquisadora Teatral, Mestra em Artes Cênicas da UFRGS, Professora de Teatro Licenciada UFRGS, Diretora do Grupo Neelic) e Vanda Bress (Atriz do Grupo Neelic e Oficineira de Teatro, Graduanda em Teatro pela UFRGS). 


COORDENAÇÃO:
Fabiana Montin (Atriz e Oficineira de Teatro do Neelic, Bacharel e Licenciada em Filosofia PUCRS).
TURMA DISPONÍVEL:
Neste segundo semestre de 2012, haverá vagas apenas para uma turma, cujo horário de aulas será:
Sábados, das 09h30min às 12h30min.

LOCAL DAS AULAS:
As aulas deste curso ocorrerão no HPSP. As entrevistas seletivas e inscrições ocorrem na Usina do Gasômetro, e devem ser agendadas antecipadamente.

COMO SE INSCREVER:
Por e-mail ou telefone, através dos contatos do Neelic, disponíveis no link

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Novo post

Olá!

No blog do espetáculo "Portas do Invisível", próxima estreia do Grupo Neelic, novo post bem bacana, sobre a personagem Antígona:

http://portasdoinvisivel.blogspot.com/2012/02/antigona.html



Confere lá!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Passagem de ano...

Neste ano que se passou eu aprendi que sou capaz de fazer mais coisas do que eu imaginava ser. Aprendi que amo aqueles com quem me envolvo, de um amor humano mesmo. Mas que lamentavelmente não consigo tempo para me envolver com todos aqueles que gostaria de poder exercitar melhor o amor. Aprendi que às vezes minutos passam leeeentamente e que noutras o tempo passou e eu não vi. O que aconteceu? Onde eu estava? Onde minha mente estava quando aquela paisagem no ônibus passou e quando vi já estou nesta outra rua, que reconheço, mas que me parece às vezes estranhamente conhecida. Onde eu estava quando a minha pele começou a enrugar e eu não vi? É durante o sono que isso acontece? É uma espécie de entorpecimento? Envolvimento com o tempo? Com a falta de tempo? Com as pessoas que todas juntas à minha volta compõem e consomem o tempo? Eu me consumo no tempo. E o tempo, como o percebemos, é possível que nem exista. 

Isto eu também aprendi neste ano que passou.

Eu aprendi que posso viajar sozinha e me aproveitar de forma estrangeira. Eu entendi que sou uma estrangeira na minha pátria e na minha cidade. Ufa! Que bom foi entender isso!

Eu entendi fi-nal-men-te o teatro que eu quero fazer. E tive absoluta certeza daquele que eu não quero. Aprendi que sou, que estou, que fui, que já era, que não sou, que existo e inexisto em mim, em ti, no mundo... sou invisível, às vezes. Sou excessivamente visível em outras.

Aprendi que preciso muuuuito de momentos de silêncio absoluto. Que às vezes a minha irritabilidade aparece no meu rosto de forma tão transparente quanto todas as outras emoções (e às vezes me faz passar vergonha, hihihi). Vergonha, não: constrangimento. Constrangimento pelo outro, que está ali me irritando, em verdade.

Percebi que vou me permitir cada vez mais a falar o que eu quero, fazendo o exercício de não oprimir o ouvido alheio. Que me permito, às vezes sem filtro, ser ácida além do limite do bom-senso.

Descobri que não acredito em nada sobrenatural. Que deus é uma necessidade humana a partir do sofrimento que é a existência.

Aprendi que o meu deus é a felicidade, o exercício do prazer e da alegria, os bons encontros no teatro e na vida. Entendi finalmente o que é para mim a ética no teatro. E não me importo nem por um segundinho com o entendimento alheio. O meu me basta, agora.

Descobri que quero ser bem velhinha e continuar tendo a disposição para estar aberta a todos que me cercam, como vem sendo: descobrindo um presente em cada pessoa que atravessa meu caminho e que escolho que fique mais um pouco.

Descobri que tenho muito mais amigos do que eu imaginava. Descobri um Grupo Neelic forte, bonito e crescido! Descobri um dia de cada vez todas as pessoas que fazem parte deste lindo movimento. Movimento em Falso & Grupo Neelic = Eba!

Descobri que quero e vou estar ao lado do Gui até morrer. Que o amor se transforma todos os dias, de um jeito tão surpreendente como aquelas marcas do tempo que a gente não vê passando. Que, como eu não acredito mais no sobrenatural, cada dia da minha vida é muito valioso, e que encontrei a pessoa certa para mim. 

Descobri novas relações com a minha mãe e com o meu irmão. Descobri novas famílias na mesma família. E que me faz muito feliz pensar que os avós do Gui agora são meus também, mesmo que emprestados. Percebi que eu tinha carência de avós.

Aprendi que tenho amigos aqui e acolá, né, João? Saudade apertada! Vixe!

Descobri, por tudo isso e pelo muito mais que não cabe aqui expor, que sou contemplada.   

Percebi, finalmente, que poderia guardar tudo isso para mim, amando baixinho como queria o Mario, mas que prefiro compartilhar. Obrigada a você, que sabe que é parte disso aqui. 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Estreia amanhã peça de teatro no barco!!! Imperdível!!!



Grupo Neelic estreia espetáculo durante passeio de barco
pelas ilhas do Guaíba e Eldorado do Sul



          Depois de um ano de muito trabalho e sucesso de público em inúmeros espetáculos apresentados, o Grupo Neelic (Núcleo de Estudos e Experimentação da Linguagem Cênica) não poderia encerrar 2011 de forma diferente, senão com uma estreia inusitada que acontecerá dos dias 13 a 18 de dezembro, no horário das 19h às 20h50min. A peça, que se chama "A Noiva do Caí", não será encenada no palco e sim no barco chamado NOIVA DO CAÍ II. A iniciativa faz parte de uma parceria com os barcos de turismo da Usina do Gasômetro.
        
         O público assistirá à peça durante um passeio de barco, partindo da Usina do Gasômetro, com passagem pela Ilha da Pintada, Ilha Grande dos Marinheiros, Ilha das Flores e o município de Eldorado do Sul, retornando para a Usina. O espetáculo foi construído a partir de quatro contos da escritora Vera Karam: A Noiva do Caí, Primeiro de Maio, Tudo na Vida é Passageiro e Visita à Vovó.
        
         As histórias são marcadas pelo humor e ironia, focos característicos de Vera, que interferem no desenvolvimento dos personagens, determinando as relações constantes de suas fábulas. Na atuação dos profissionais do Grupo Neelic, se revela a escolha estética dos atores pela abordagem dos textos com um forte viés poético: a incompletude, a incomunicabilidade e o desamparo no cenário das relações. Tudo isso trabalhado com elementos da memória dos atores, recebe um tratamento que se aproxima do lirismo e se afasta do conflito dramático, usando aspectos da performance teatral. Durante a encenação, os atores vivenciam diversos personagens em um trabalho de elaboração cênica a partir do aprofundamento das ações físicas e vocais, coordenado pela diretora Desirée Pessoa e as preparadoras vocais Ligia Motta e Leonor Melo.

   Os ingressos para “A Noiva do Caí” podem ser adquiridos na própria bilheteria dos barcos, atrás da Usina do Gasômetro, no valor de 50 reais. Idosos, classe artística, professores e estudantes pagam meia-entrada. As promoções especiais a seguir valerão de terça a quinta-feira: 50% de desconto para os assinantes dos jornais de Porto Alegre, para as pessoas que reservarem seus ingressos com até 72 horas de antecedência da apresentação (enviando um e-mail ao Grupo Neelic – teatrodoneelic@gmail.com), para todos que participarem das promoções nas redes sociais virtuais do Grupo Neelic e para quem for acompanhado de mais de duas pessoas. Já na sexta, sábado e domingo, a promoção é meia-entrada para todos.


Ficha Técnica:
Direção: Desirée Pessoa;
Concepção: Caco Coelho;
Texto: Vera Karam;
Elenco: Suelen Gotardo e Bruno Fernandes;
Preparação Vocal: Leonor Melo e Ligia Motta;
Trilha: Desirée Pessoa;
Figurino: Rô Cortinhas;
Fotografia: Kiran León;
Designer Gráfica: Paula Basei;
Produção: Adriano Roman;
Realização: Grupo Neelic - www.gruponeelic.com / fones: (51) 3391-5931 / (51) 9274-9933    

A Noiva do Caí - Cartaz


terça-feira, 15 de novembro de 2011

A dura vida dos ateus

Acabo de ler o texto abaixo no site da Revista Época, link
 http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/noticia/2011/11/dura-vida-dos-ateus-em-um-brasil-cada-vez-mais-evangelico.html, e, como já venho pensando há uns tempos nessa questão, resolvi postar aqui. Até porque este é um dos assuntos que trato no meu solo. Boa leitura!


A dura vida dos ateus em um Brasil cada vez mais evangélico
A parábola do taxista e a intolerância. Reflexão a partir de uma conversa no trânsito de São Paulo. A expansão da fé evangélica está mudando “o homem cordial”?

Texto de ELIANE BRUM em 14/11/2011.


ELIANE BRUM - Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de um romance - Uma Duas (LeYa) - e de três livros de reportagem: Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo). E codiretora de dois documentários: Uma História Severina e Gretchen Filme Estrada. 
elianebrum@uol.com.br; @brumelianebrum. 


O diálogo aconteceu entre uma jornalista e um taxista na última sexta-feira. Ela entrou no táxi do ponto do Shopping Villa Lobos, em São Paulo, por volta das 19h30. Como estava escuro demais para ler o jornal, como ela sempre faz, puxou conversa com o motorista de táxi, como ela nunca faz. Falaram do trânsito (inevitável em São Paulo) que, naquela sexta-feira chuvosa e às vésperas de um feriadão, contra todos os prognósticos, estava bom. Depois, outro taxista emparelhou o carro na Pedroso de Moraes para pedir um “Bom Ar” emprestado ao colega, porque tinha carregado um passageiro “com cheiro de jaula”. Continuaram, e ela comentou que trabalharia no feriado. Ele perguntou o que ela fazia. “Sou jornalista”, ela disse. E ele: “Eu quero muito melhorar o meu português. Estudei, mas escrevo tudo errado”. Ele era jovem, menos de 30 anos. “O melhor jeito de melhorar o português é lendo”, ela sugeriu. “Eu estou lendo mais agora, já li quatro livros neste ano. Para quem não lia nada...”, ele contou. “O importante é ler o que você gosta”, ela estimulou. “O que eu quero agora é ler a Bíblia”. Foi neste ponto que o diálogo conquistou o direito a seguir com travessões.
 - Você é evangélico? – ela perguntou.
 - Sou! – ele respondeu, animado.
 - De que igreja?
 - Tenho ido na Novidade de Vida. Mas já fui na Bola de Neve.
- Da Novidade de Vida eu nunca tinha ouvido falar, mas já li matérias sobre a Bola de Neve. É bacana a Novidade de Vida?
- Tou gostando muito. A Bola de Neve também é bem legal. De vez em quando eu vou lá.
- Legal.
- De que religião você é?
- Eu não tenho religião. Sou ateia.
- Deus me livre! Vai lá na Bola de Neve.
- Não, eu não sou religiosa. Sou ateia.
- Deus me livre!
- Engraçado isso. Eu respeito a sua escolha, mas você não respeita a minha.
- (riso nervoso).
- Eu sou uma pessoa decente, honesta, trato as pessoas com respeito, trabalho duro e tento fazer a minha parte para o mundo ser um lugar melhor. Por que eu seria pior por não ter uma fé?
- Por que as boas ações não salvam.
- Não?
- Só Jesus salva. Se você não aceitar Jesus, não será salva.
- Mas eu não quero ser salva.
- Deus me livre!
- Eu não acredito em salvação. Acredito em viver cada dia da melhor forma possível.
- Acho que você é espírita.
- Não, já disse a você. Sou ateia.
- É que Jesus não te pegou ainda. Mas ele vai pegar.
- Olha, sinceramente, acho difícil que Jesus vá me pegar. Mas sabe o que eu acho curioso? Que eu não queira tirar a sua fé, mas você queira tirar a minha não fé. Eu não acho que você seja pior do que eu por ser evangélico, mas você parece achar que é melhor do que eu porque é evangélico. Não era Jesus que pregava a tolerância?
- É, talvez seja melhor a gente mudar de assunto...
O taxista estava confuso. A passageira era ateia, mas parecia do bem. Era tranquila, doce e divertida. Mas ele fora doutrinado para acreditar que um ateu é uma espécie de Satanás. Como resolver esse impasse? (Talvez ele tenha lembrado, naquele momento, que o pastor avisara que o diabo assumia formas muito sedutoras para roubar a alma dos crentes. Mas, como não dá para ler pensamentos, só é possível afirmar que o taxista parecia viver um embate interno: ele não conseguia se convencer de que a mulher que agora falava sobre o cartão do banco que tinha perdido era a personificação do mal.)
Chegaram ao destino depois de mais algumas conversas corriqueiras. Ao se despedir, ela agradeceu a corrida e desejou a ele um bom fim de semana e uma boa noite. Ele retribuiu. E então, não conseguiu conter-se:
- Veja se aparece lá na igreja! – gritou, quando ela abria a porta.
- Veja se vira ateu! – ela retribuiu, bem humorada, antes de fechá-la.
Ainda deu tempo de ouvir uma risada nervosa.  
A parábola do taxista me faz pensar em como a vida dos ateus poderá ser dura num Brasil cada vez mais evangélico – ou cada vez mais neopentecostal, já que é esta a característica das igrejas evangélicas que mais crescem. O catolicismo – no mundo contemporâneo, bem sublinhado – mantém uma relação de tolerância com o ateísmo. Por várias razões. Entre elas, a de que é possível ser católico – e não praticante. O fato de você não frequentar a igreja nem pagar o dízimo não chama maior atenção no Brasil católico nem condena ninguém ao inferno. Outra razão importante é que o catolicismo está disseminado na cultura, entrelaçado a uma forma de ver o mundo que influencia inclusive os ateus. Ser ateu num país de maioria católica nunca ameaçou a convivência entre os vizinhos. Ou entre taxistas e passageiros.
Já com os evangélicos neopentecostais, caso das inúmeras igrejas que se multiplicam com nomes cada vez mais imaginativos pelas esquinas das grandes e das pequenas cidades, pelos sertões e pela floresta amazônica, o caso é diferente. E não faço aqui nenhum juízo de valor sobre a fé católica ou a dos neopentecostais. Cada um tem o direito de professar a fé que quiser – assim como a sua não fé. Meu interesse é tentar compreender como essa porção cada vez mais numerosa do país está mudando o modo de ver o mundo e o modo de se relacionar com a cultura. Está mudando a forma de ser brasileiro.
Por que os ateus são uma ameaça às novas denominações evangélicas? Porque as neopentecostais – e não falo aqui nenhuma novidade – são constituídas no modo capitalista. Regidas, portanto, pelas leis de mercado. Por isso, nessas novas igrejas, não há como ser um evangélico não praticante. É possível, como o taxista exemplifica muito bem, pular de uma para outra, como um consumidor diante de vitrines que tentam seduzi-lo a entrar na loja pelo brilho de suas ofertas. Essa dificuldade de “fidelizar um fiel”, ao gerir a igreja como um modelo de negócio, obriga as neopentecostais a uma disputa de mercado cada vez mais agressiva e também a buscar fatias ainda inexploradas. É preciso que os fiéis estejam dentro das igrejas – e elas estão sempre de portas abertas – para consumir um dos muitos produtos milagrosos ou para serem consumidos por doações em dinheiro ou em espécie. O templo é um shopping da fé, com as vantagens e as desvantagens que isso implica.
É também por essa razão que a Igreja Católica, que em períodos de sua longa história atraiu fiéis com ossos de santos e passes para o céu, vive hoje o dilema de ser ameaçada pela vulgaridade das relações capitalistas numa fé de mercado. Dilema que procura resolver de uma maneira bastante inteligente, ao manter a salvo a tradição que tem lhe garantido poder e influência há dois mil anos, mas ao mesmo tempo estimular sua versão de mercado, encarnada pelos carismáticos. Como uma espécie de vanguarda, que contém o avanço das tropas “inimigas” lá na frente sem comprometer a integridade do exército que se mantém mais atrás, padres pop star como Marcelo Rossi e movimentos como a Canção Nova têm sido estratégicos para reduzir a sangria de fiéis para as neopentecostais. Não fosse esse tipo de abordagem mais agressiva e possivelmente já existiria uma porção ainda maior de evangélicos no país.
Tudo indica que a parábola do taxista se tornará cada vez mais frequente nas ruas do Brasil – em novas e ferozes versões. Afinal, não há nada mais ameaçador para o mercado do que quem está fora do mercado por convicção. E quem está fora do mercado da fé? Os ateus. É possível convencer um católico, um espírita ou um umbandista a mudar de religião. Mas é bem mais difícil – quando não impossível – converter um ateu. Para quem não acredita na existência de Deus, qualquer produto religioso, seja ele material, como um travesseiro que cura doenças, ou subjetivo, como o conforto da vida eterna, não tem qualquer apelo. Seria como vender gelo para um esquimó.
Tenho muitos amigos ateus. E eles me contam que têm evitado se apresentar dessa maneira porque a reação é cada vez mais hostil. Por enquanto, a reação é como a do taxista: “Deus me livre!”. Mas percebem que o cerco se aperta e, a qualquer momento, temem que alguém possa empunhar um punhado de dentes de alho diante deles ou iniciar um exorcismo ali mesmo, no sinal fechado ou na padaria da esquina. Acuados, têm preferido declarar-se “agnósticos”. Com sorte, parte dos crentes pode ficar em dúvida e pensar que é alguma igreja nova.
Já conhecia a “Bola de Neve” (ou “Bola de Neve Church, para os íntimos”, como diz o seu site), mas nunca tinha ouvido falar da “Novidade de Vida”. Busquei o site da igreja na internet. Na página de abertura, me deparei com uma preleção intitulada: “O perigo da tolerância”. O texto fala sobre as famílias, afirma que Deus não é tolerante e incita os fiéis a não tolerar o que não venha de Deus. Tolerar “coisas erradas” é o mesmo que “criar demônios de estimação”. Entre as muitas frases exemplares, uma se destaca: “Hoje em dia, o mal da sociedade tem sido a Tolerância (em negrito e em maiúscula)”. Deus me livre!, um ateu talvez tenha vontade de dizer. Mas nem esse conforto lhe resta.
Ainda que o crescimento evangélico no Brasil venha sendo investigado tanto pela academia como pelo jornalismo, é pouco para a profundidade das mudanças que tem trazido à vida cotidiana do país. As transformações no modo de ser brasileiro talvez sejam maiores do que possa parecer à primeira vista. Talvez estejam alterando o “homem cordial” – não no sentido estrito conferido por Sérgio Buarque de Holanda, mas no sentido atribuído pelo senso comum.
Me arriscaria a dizer que a liberdade de credo – e, portanto, também de não credo – determinada pela Constituição está sendo solapada na prática do dia a dia. Não deixa de ser curioso que, no século XXI, ser ateu volte a ter um conteúdo revolucionário. Mas, depois que Sarah Sheeva, uma das filhas de Pepeu Gomes e Baby do Brasil, passou a pastorear mulheres virgens – ou com vontade de voltar a ser – em busca de príncipes encantados, na “Igreja Celular Internacional”, nada mais me surpreende.
Se Deus existe, que nos livre de sermos obrigados a acreditar nele. 
(Eliane Brum escreve às segundas-feiras)

domingo, 6 de novembro de 2011

Estudando com o Chico...

Estou estudando para o meu solo. Acabo de postar no blog PERSONAENEELIC um pouco do que tenho lido sobre performance. Dá uma olhada lá: http://personaeneelic.blogspot.com/.

Estou escutando Chico: "Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela, será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela?..."

A temperatura está agradável e isso ajuda a estudar. O clima me influencia.

Ontem fizemos o primeiro ensaio para a reestreia da Sem Açúcar. Adoro a peça, vamos voltar em dezembro, estou bem feliz com isso.

Abaixo deixo então uma foto da peça, pra você ir se preparando pra vir assistir...

"Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela, morena bichinha danada minha camarada..."

Com o ator (e meu amigo) Silvio Ramão, foto de Kiran Leon.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Seu Olhar

Adoro a música "Seu Olhar", do Moska. Deixo aqui a letra pra você ver como é linda!

Aliás, adoro o Moska. Tudo dele e ele também. O show dele é lindo. Por falar em show e em lindo, o Chico vai estar aí no fim do mês que vem. Quero muito ir.

Sobre o meu solo, criei um blog específico para ele, pois tinha já muito material e ia sobrecarregar este aqui. O endereço é http://personaeneelic.blogspot.com/. 

Mas de vez em quando vou postando umas coisas dele por aqui também. Fica com a letra do Moska!

Foto de Ana Claudia Lubitz


Gosto quando olho pra você
Gosto mais quando seu olho vem
Na direção do meu
Na direção do meu
Na direção do meu

Gosto ainda mais quando esquecemos
Onde estamos e olhando em volta escolhemos
A mesma coisa pra olhar
A mesma coisa pra olhar
A mesma coisa pra olhar

Gosto quando olho com você o mundo
E gosto mais do mundo quando posso olhar pra ele com você
Gosto mais do mundo quando posso olhar pra ele com você
Gosto mais do mundo quando posso olhar pra ele com você

Na direção do meu
Na direção do meu
A mesma coisa pra olhar
A mesma coisa pra olhar

Gosto quando olho com você o mundo
E gosto mais do mundo quando posso olhar pra ele com você
Gosto mais do mundo quando posso olhar pra ele com você
Gosto mais do mundo quando posso olhar pra ele com você

Gosto mais do mundo quando posso olhar pra ele...com você

domingo, 30 de outubro de 2011

Solo meu...

Pra quem ainda não sabe, estou preparando um espetáculo solo. 

Em outro momento falo mais sobre ele. Por enquanto, ficam aqui as imagens de inspiração da pesquisa que estamos fazendo neste momento, Marçal Rodrigues (diretor do espetáculo) e eu.

Estreia agendada pra começo do ano que vem, pode ir se preparando!









terça-feira, 20 de setembro de 2011

Coisas que percebi, heterônimos, solo...


Dei-me conta (oh, que coisa, levei quase trinta anos para perceber isso!)...

Voltando: percebi que algumas passagens da vida têm tanta importância que parece que ficam "coladas" na minha memória. Daí, o que acontece: parece que o ano de 1997 foi ontem. Então eu fico muito zangada quando entro na livraria e o atendente (mais ou menos 10 anos mais novo que eu) diz: "Ah, essa edição é beeem antiga. É de 1995!". Fico realmente zangada, com vontade de dizer um monte de troços a ele. Sim, troços mesmo, é a melhor palavra, nesse caso.

Mas não falo. Não falo nada e apenas observo. Sim, se tem uma coisa que aprendi no teatro é que a gente aprende muito observando as pessoas. Já passei da fase da histeria, de ser uma "atriz-afetada-pseudo-dramática-em-excesso". Não vi quando exatamente aconteceu. Mas passei desta fase. Tenho agora a calma dos ingleses, como diria Ionesco. Às vezes sinto que posso vender calma e paciência, de tanto que tenho. Meu lado juvenil briga com meu lado maduro, pois quase se irrita com tanta compreensão sobre a vida e "todas-as coisas-que-vêm-junto".

Parece papo de maluco, isso de ter mais de um lado dentro de si? Sorry, eu posso. Tenho o sobrenome do maior heterônimo que a poesia já conheceu, meu filho: eu posso. Ok? Se não estiveres ok, lamento muito. Sorry (de novo), é tudo o que posso te dizer.

Sim, cheguei na tenra idade de sentir pro-fun-da-men-te que não devo nada a ninguém, que as escolhas que fiz foram as mais adequadas para mim, que tenho carreira profissional sólida e encontrei o amor. Sabe o que acontece? Meu lado que lembra que fez terapia por anos diz assim: "ai, esbanjando felicidade desse jeito, parece que tu estás querendo convencer a ti mesma destas coisas todas". Agora sabes o que é o melhor de tudo isso? É ter um lado que é mais equilibrado emocionalmente, e que lembra a este outro (que precisa tanto de terapia) que "às vezes, um charuto é só um charuto", e que isso de não ter mais que convencer ninguém de qualquer coisa vale também para mim. E lembra que não fomos "criados culturalmente" para sermos felizes. Fomos educados para ter medo de Deus ou qualquer coisa que se aproxime disso (luz violeta, bolha dourada, sei lá). Medo da morte. Medo dos outros. Medo da rua. Medo de tudo. E se, pela primeira vez na vida, há um lado meu, muito profundo, que experimenta não ter medo de vááárias coisas muito importantes para mim, é claro que os outros lados vão ficar histéricos, querendo me manter nos velhos padrões.

Escrevi "importantes" e lembrei do Caco falando "importante é palavra velha e cansada, já dizia o Abujamra". Sim, às vezes uso palavras velhas e cansadas. Sou "barroca", como me puxa a orelha minha orientadora. Tudo bem. Lido bem com a crítica, hoje. Baixo a cabeça e trabalho. Aprendi que nenhum sucesso na vida vem de graça: é fruto de trabalho árduo. E daí quando vem, a aceitação é tranquila: pois é resultado crescimento que se operou aqui dentro. Aliás, faz cerca de um ano já que não escuto mais que minha escrita é barroca, hehe. Agora que lembrei disso. Parece que teve crescimento também aí.

Bem, mais um dia de trabalho. Sim, porque na minha opinião, 20 de setembro não tem absolutamente nada para ser comemorado. E daí, faço a minha parte: ao invés de ficar só criticando vou trabalhar.

Estou saindo para ensaiar meu solo. Ah, é, não havia dado a notícia por aqui ainda: estou preparando um solo. Estreia agendada para início de 2012. Vem me ver no teatro, sempre! À parte viver a vida com prazer, é o que eu faço de melhor.

Parte das people que compõe o espaço de criação lindo que é o Neelic. A gente faz a festa, always!

   

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Exaustão

Estou muuuuito cansada. De existir, mesmo. O tempo passa - balança da vida pesando: frustração. Sem arrependimento - melhor! Mas frustração sim.

Às vezes, ok. Não sempre. Mas frustração às vezes já dói suficientemente.

Certo, então. Carrego mais esta dor agora.

Ao menos a da ansiedade passou. É uma troca?

Tenho que saber qual prefiro?

Ou qual é menos pior?


Às vezes eu queria que o mundo fosse um ônibus no qual eu pudesse puxar a cordinha, descer e dar uma caminhada. E só. Só, entendeu? Só.

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quarta-feira, 6 de julho de 2011

Grupo Neelic na Casa de Cultura e Escola do Neelic estreia Shakespeare

É isso aí.

Então, pra ninguém se atrapalhar:

O Primeiro Amor (do grupo Neelic) está na Casa de Cultura Mario Quintana. Sextas, sábados e domingos, até 24 de julho. Sempre às 20h.

O Shakespeare Despedaçado (dos alunos da Escola de Teatro do Neelic) estreia nesta quinta na Sala 504 da Usina do Gasômetro. E fica todas as quintas de julho às 20h. E sábados e domingos (dias 09,10,16,17) às 16h, na Usina também.

Entendeu certinho? Tá então não tem erro. Qualquer dúvida, é só ligar pro fone do Neelic (9274.9933). Estamos fazendo reserva de lugar pelo telefone, agora.

Abraços!

Fotografia do Primeiro Amor, de Kiran Federico León

domingo, 26 de junho de 2011

doce e cruel

Voltando em cartaz com Primeiro Amor, espetáculo do grupo Neelic. Estaremos na CCMQ (Casa de Cultura Mario Quintana), no Teatro Bruno Kiefer, de sextas a domingos, de 01 a 24 de julho, às 20h, sempre.

Se você gosta de algo doce que se torna bem amargo, assista. Se você não gosta, recomende. A peça é de rir, é de chorar, é de pensar, é de quase tudo que se pode sentir.

Vai lá nos ver!

"As lágrimas do mundo são em quantidade constante. Para cada um que irrompe em choro, em outra parte alguém para. Com o riso é a mesma coisa. "